Quinta-feira, Outubro 31, 2002

Queria que o mundo fosse como esse blog. Silencioso, calmo e inofensivo. Com essas malas de couro e esse tons pastéis.
Mas não. Ele teima em ser agitado e imprevisível. Meu futuro está em aberto. Essa situação de indefinição angustia e fascina ao mesmo tempo. Hoje é dia 31 de outubro. Aniversário de Carlos Drummond de Andrade. Mais do que um queixo, Drummond deixou um legado inestimável. Não são apenas poesias e contos. É um estilo de vida. Calmo e sereno, Drummond nos ensinou que para criar talvez seja importante calar e se conformar. Conformar aparentemente, é claro. Talvez se conformar com a profissão, com a função burocrática - como a que desenvolveu nos anos em que trabalhou no escritório de Gustavo Capanema. Assim como Kafka, a burocracia permitiu a Drummond aproveitar o tempo livre para criar. Não dormir preocupado com o trabalho.
É uma bela lição. Mais um das tantas que deixou.



Passo por um período de pouca criatividade. Também não tenho certeza de já ter sido criativo algum dia.
Preocupação apaga a criação. Acaba dando numa rima pobre, como essa ao lado. Fazer o quê? Arranjem-me um emprego e lhes darei toda a criatividade do mundo. Não. Não posso prometer esse tipo de coisa. Mas garanto que mudarei de assunto. Pelo menos isso.



Andar pela multidão é inspirador. Mas também é confuso. Pela Saens Peña então nem se fala. São muitos estímulos. Gente pra todo o lado, vitrines, bancas de jornal. O cheiro ao se passar pela C&A remete ao passado. Lembro do tempo em que ia àquela loja comprar roupas. Sem dúvida, um programa tipicamente tijucano. Passar tardes de sábado entre bermudas e camisas. Nem tudo na década de oitenta foi uma maravilha.


Sexta-feira, Outubro 25, 2002

SEXTA-FEIRA, DIA DE DESCANSO
Hoje é sexta-feira. Sem dúvida, um dia mágico. Ainda há dois dias de descanso pela frente. Para quem tem sorte, praia, areia e rede. Isso sim é que é vida. Um sol de final de tarde num lugar tranqüilo e silencioso sempre é revigorante.


Quinta-feira, Outubro 24, 2002

MAIS UM CAPÍTULO EM MINHA LUTA POR UM EMPREGO
Hoje mandei um e-mail para um jornal de médio porte aqui no Rio de Janeiro. Na mensagem, explicava que me formarei daqui a dois meses em Jornalismo e que gostaria de saber se haveria a possibilidade de trabalhar naquela empresa. Para minha surpresa, logo após enviar o e-mail, recebo uma resposta. Informavam-me que deveria telefonar para o chefe de reportagem. Liguei para o número indicado e expliquei minha situação. A resposta: "Ah, é para trabalhar?". "Então não há vaga".
Mais um dia em minha luta. Não vou desistir.



Este é meu primeiro texto no VIVAVOZ.
Eu me formo em Jornalismo no final deste ano. Gosto muito de escrever, mas, a cada dia, percebo um problema que precisa ser resolvido urgentemente: não há emprego neste mercado. É muito difícil entrar para um jornal, revista ou tevê sem um conhecimento prévio. Não posso desistir de meu objetivo: ser jornalista. Por isso, decidi enfrentar os obstáculos de frente. Minhas armas são a força de vontade, a dedicação e meu currículo. Não que meu currículo seja sensacional. Mas acho que tenho as qualificações necessárias para conseguir um emprego dentro de minha área. É isso que espero.