Sábado, Março 22, 2003

Resenha a partir do texto "De Westphalia a Seattle: a Teoria das Relações Internacionais em Transição", de Marcus Faro de Castro
Por Henry Galsky

O texto de Marcus Faro de Castro tem o objetivo de mostrar a evolução do estudo e a conseqüente formação de uma Teoria das Relações Internacionais (TRI) - que nasce apenas no século vinte.

O estudo das Relações Internacionais busca investigar a natureza das relações políticas entre comunidades distintas. A TRI analisa de que forma países se relacionam através da Política Internacional. Entretanto, os Estados Territoriais surgiram somente após a celebração da Paz de Westphalia, em 1648. A partir desta época é possível fazer a distinção entre política interna e externa.

Pode-se dizer que a TRI surge a partir do Direito. O embrião do Direito Internacional foi o Praetur Peregrinus, que passa a existir no ano de 242 ªC. e cuidava das disputas entre estrangeiros e cidadãos romanos, ficou conhecido como Jus Gentium (direito das gentes)

Na Idade Média, o direito romano torna-se dominante sendo aplicável, em tese, a toda a "cristandade". Somente a partir dos séculos 16 e 17 os juristas passam a distinguir entre o direito interno às comunidades e o direito vigente entre comunidades distintas.

No século 19, o "direito das gentes" foi dissolvido sob o direito internacional. Tal doutrina oferece o estilo de política conhecido como "Ordem Westphaliana", que tem como principal característica o reconhecimento da divisão política mundial em estados soberanos e que, além disso, não admite qualquer autoridade superior que regule a relação entre os países

No século vinte, o não-reconhecimento de uma instituição superior aos países do "concerto europeu" pode ter sido um fator que contribuiu para o início da Primeira Guerra Mundial. Assim, ao final do conflito, o presidente norte-americano, Woodrow Wilson, enumerou 14 propostas para resolver o embate bélico. Entre elas, constava a fundação de uma associação entre países para a manutenção da paz: a Liga das Nações.

Vinte anos mais tarde, Edwad Carr publica The Twenty Years Crises 1919-1939, livro que se tornou símbolo do início do estudo científico das Relações Internacionais.

Ganha força a visão "realista" da política internacional. Segundo esta corrente de pensamento, o uso da força é legítimo e justificável. Para os realistas, as guerras haviam sido o resultado das condições inerentes à política e ao sistema internacional. Foi nos Estados Unidos que o realismo ganhou mais impulso. Os princípios desta teoria estavam calcados sobre as noções de poder e interesse nacional. Para seus adeptos, a política internacional deveria ser tratada como um conjunto de questões de segurança nacional relacionadas ao uso da força militar.

A crítica a esta visão foi expressa por autores adeptos da abordagem "behavioralista". A Escola Inglesa é uma das que rejeitam o argumento realista de que o sistema internacional é anárquico. Também dá ênfase à existência de uma ordem internacional baseada em direitos e obrigações comuns de caráter moral e jurídico

Outra vertente que critica o realismo é o pluralismo. Os pluralistas acreditam que o uso da força deve ser evitado e as organizações internacionais criadas após a Segunda Guerra Mundial utilizadas para a promoção da cooperação multilateral. Também preocupam-se com as transformações reais da política no mundo, como o fato de países mais fracos militarmente conseguirem impor seus interesses. Os pluralistas preferem o conceito de interdependência ao conceito de poder, utilizado pelos realistas.

O estudos dos regimes internacionais ganhou força a partir de 1970. São conjuntos de regras estruturadas pelos estados para coordenar suas expectativas. Como conseqüência deste conceito, foi criada recentemente a expressão "governança global".

As discussões da TRI abriram espaço para a formação de um campo conhecido como Economia Política Internacional (EPI), que nasceu a partir das turbulências na política e na economia mundiais.


Sexta-feira, Março 14, 2003

O quadro na parede é apenas uma fonte de inspiração. Basta olhar e entrar. Dentro da moldura há uma vida mais tranqüila. O silêncio e a paisagem parecem compor o ambiente ideal para refletir sobre tudo o que nos angustia.
Realmente, esse texto está um pouco parnasiano demais. E, convenhamos, o parnasianismo é dispensável. Mas, nada disso é uma ode a um gênero literário ultrapassado e pouco objetivo.
Como os parnasianos, tudo tem a sua época. Tenho plena noção disso. E assim a humanidade caminha de mãos dadas com os lugares-comuns. Também sei disso.
Não sou nem parnasiano, nem condutor da humanidade. Longe disso. Apenas tento dizer com as letras tudo o que não sei ou consigo oralmente.
O sol e o calor fazem muita confusão em minha cabeça. Talvez, tudo aí em cima seja resultado disso.
Bola pra frente, como diriam as mesas-redondas. Há especialistas em todas as áreas opinando sobre todos os assuntos. O mundo não precisa de mais nenhum. Fiquem todos onde estão! Ninguém se mova!
O mundo está pronto. Tudo já foi inventado ou construído. As teorias já foram publicadas em revistas especializadas. O planeta está livre de idéias e pronto. Ninguém sabe ao certo para que está pronto. Talvez para ser servido.
Toquem os alarmes eletrônicos. Tirem seu celulares das bolsas e mochilas. Mandem e-mails e avisem a todos sobre a grande novidade!
Voltem para casa e esperem os acontecimentos. Pela primeira vez na história humana, estão todos convidados! Seremos servidos e os convidados têm pressa!


Sexta-feira, Março 07, 2003

CARNAVAL NO PARAÍSO
Por Henry Galsky

É carnaval. Como diria um certo samba-enredo, "uma doce ilusão". No meu caso, de doce não há nada. Em casa e de plantão no trabalho, o carnaval não é divertido ou inspirador. Na melhor das hipóteses, a "maior festa popular do mundo" me trará apenas uma leve depressão entre hoje e amanhã.
Enquanto escrevo estas linhas, posso ouvir ao fundo a banda que passa com sua batida repetitiva.
Os habitantes deste "paraíso na Terra" chamado Rio de Janeiro estão em exílio voluntário. Espremem-se em outro paraíso perdido conhecido como Região dos Lagos. Os cariocas saem da cidade para se encontrar nas cidades vizinhas.
O carnaval é apenas um pretexto para cruzar a ponte Rio-Niterói e, em qualquer lugar do outro lado da Baía de Guanabara, sair à caça de bebida, água salgada e mulheres. Mais uma desse maravilhoso povo que habita esta cidade infestada - segundo propaganda da Rede Globo - de "mulheres e homens apaixonados". A propaganda se esquece de mencionar que, entre as declarações de amor, estes milhões de apaixonados precisam se abaixar para fugir das balas perdidas.
Um noticiário de TV acaba de exibir uma matéria sobre os turistas que chegam ao Rio de Janeiro. Um carioca é entrevistado e define a cidade como "o melhor lugar para se viver no mundo".
Concordo com ele. Como quase toda a população mundial consegue suportar sua medíocre existência sem algumas características que compõem a oitava maravilha que é o Rio de Janeiro? O clima ameno, a tranqüilidade, a limpeza nas ruas, a oferta de empregos, o ensino público de qualidade, a segurança, o silêncio, a infra-estrutura de transporte público. Não conseguiria listar nesta página todos os benefícios de nossa amada cidade.
Os europeus, americanos, japoneses, canadenses e todos os demais países subdesenvolvidos realmente não sabem o que é qualidade de vida. O pessoal do Leblon é que está certo. Graças a D' us por viver no Rio de Janeiro!