Terça-feira, Julho 29, 2003

DIMINUI A POPULAÇÃO ÁRABE EM ISRAEL
Por Henry Galsky

Contrariando as projeções feitas por institutos de pesquisa de Israel no ano passado, a população árabe no país diminuiu proporcionalmente, segundo pesquisa do Escritório Central de Estatísticas israelense divulgada no jornal Jerusalem Post.

De acordo com os resultados da pesquisa, Israel tem hoje 6 milhões e 631 mil habitantes. Desse total, cerca de 1 milhão e 200 mil são árabes. Assim, os árabes correspondem a menos de um quinto da população (18,1%) e não a pouco mais de um quinto, como chegou a ser divulgado no ano passado (20%).

As novidades incluem um aumento da população judaica. Nos assentamentos ultra-ortodoxos da Cisjordânia, a população judaica cresceu 5,7%, enquanto no resto do país e nas áreas judaicas da Faixa de Gaza a taxa de crescimento foi de 1,9%. Os resultados da pesquisa podem ser considerados positivos, já que a taxa de crescimento populacional israelense consegue ser superior a da Europa (estagnada em 0,1%), Estados Unidos (1,1%), Ásia (1,5%) e América Latina (1,7%).

Ainda segundo a pesquisa, há 225 mil judeus vivendo na Cisjordânia e outros oito mil em assentamentos na Faixa de Gaza.


Sexta-feira, Julho 25, 2003

INTERVENÇÃO JÁ
Por Henry Galsky


A Libéria está envolvida numa sangrenta guerra civil que já dura 14 anos. Sem dúvida, é um país com uma história peculiar. Além da Etiópia, é o único Estado da África que não foi colônia européia e, além disso, foi fundado por ex-escravos africanos dos Estados Unidos. Libéria significa país dos libertos e, ao contrário da maioria dos países do continente - que só conseguiu a independência em meados do século XX - , passou a existir como uma república livre em 1847. Seu primeiro presidente, que aliás foi quem declarou a independência, foi Joseph Jenkins Robert, um ex-escravo nascido nos Estados Unidos.

Depois desse breve histórico, vale lembrar que, apesar da admirável luta pela sobrevivência e do idealismo de seus fundadores, a maioria de sua população vive na miséria. Nesse aspecto, infelizmente, a Libéria não é muito diferente dos outros Estados africanos. Sua população, pouco mais de três milhões de pessoas, clama por ajuda internacional para dar fim ao conflito em que o país está mergulhado e que, apenas no mês passado, matou 700 pessoas.

O curioso é notar que na Libéria a população implora para que Estados Unidos e Grã-Bretanha enviem ajuda militar e econômica ao país. Mas, dessa vez, o presidente Bush e o primeiro-ministro Tony Blair estão um tanto quanto reticentes. Não sabem se devem ou não enviar suas tropas. Gostaria de não parar para pensar nas coincidências, mas é inevitável não associar o pouco caso de Estados Unidos e Grã-Bretanha à localização da Libéria. E se ela ficasse entre Irã e Iraque? Ou entre Índia e Paquistão?

O argumento das potências internacionais para esperar um pouco mais antes de tomar qualquer decisão é a origem do pedido oficial de intervenção: o corrupto presidente liberiano Charles Taylor, acusado de ajudar, financiar e instigar grupos rebeldes pelo continente. Taylor, inclusive, foi indiciado pela ONU por seus crimes de guerra em Serra Leoa.

A relação entre Estados Unidos e Libéria pode ser, de certa forma, compararda aos laços que unem Brasil e Timor Leste. O Brasil enviou tropas para restaurar a ordem no Timor Leste em 2002 e, com isso, mostrou coerência entre discurso e prática na condução de sua política externa. Na Libéria se fala inglês, a moeda é o dólar liberiano, a bandeira é uma cópia da norte-americana e, principalmente, o país foi fundado por norte-americanos - mesmo que fossem ex-escravos negros sem os direitos de cidadania plena dos brancos dos Estados Unidos. Só este último item justifica uma intervenção imediata. É preciso ouvir a voz da África.



Quinta-feira, Julho 24, 2003

COMPORTAMENTO ESTRANHO
Por Henry Galsky

Não me contive, meus amigos. Após a sensacional matéria de capa da revista Veja desta semana, resolvi escrever alguma coisa sobre sexo.

Este é o tema principal da revista. A reportagem analisa a "evolução" do comportamento sexual humano e, para resumir, chega a uma conclusão bem simples: procuramos nossos parceiros da mesma forma que nossos antepasados das cavernas. Obviamente, há diferenças entre homens e mulheres. Os homens sempre procuraram as parceiras mais bonitas. Pra ser mais claro: desde sempre estamos - e digo isso como representante do sexo masculino - atrás das boasudas. Foi assim na Idade da Pedra, na Idade Média e hoje. Isso não era novidade.

As boas novas ficaram por conta do sexo feminino. As mulheres também estão atrás dos parceiros mais atraentes. Mesmo que isso signifique - de acordo com a revista - a preocupação com alguns padrões de beleza como o formato das mandíbulas do provável parceiro. De acordo com a revista, a beleza do rosto masculino está nos ângulos retos. Ou seja, é bonito ter mandíbulas quadradas - o mais exato possível. Sinceramente, não sabia que mulheres analisavam a beleza masculina pelas mandíbulas. Nunca havia me dado conta sequer que as possuía porque, simplesmente, não parece nada humano observá-las. Todas as vezes que li esta palavra, era para referir-se a dinossauros e cobras (que, aliás, conseguem esticá-las de forma a engolir uma ovelha). Tudo bem. Com os répteis vá lá. Mas acho uma tremenda covardia pensar em ser avaliado pela forma de minhas mandíbulas.

Mas a reportagem não traz apenas novidades. As mulheres sempre procuraram parceiros pelo dinheiro. Parece que os velhos preconceitos masculinos apontavam na direção correta. Mas há um bom motivo para isso. Segundo afirma a Veja, a mulher procura os mais abastados financeiramente porque está preocupada com a prole (os filhos que vão ser fruto da futura relação. Tudo com um vocabulário bem ao estilo do Discovery Channel). Tá certo. Mas, se você ainda está achando pouco os requisitos para o homem ideal, lá vai mais um: mulheres preferem os altos e fortes pois os consideram aptos para caçar e, assim, oferecer proteínas (mais Discovery) suficientes a ela e a seus filhos.

Realmente, sempre achei difícil entender as mulheres. Depois desta reportagem, tudo piorou. Mas, ficou fácil para elas partir em busca de seu homem ideal. Ele precisa ser banqueiro e dono de restaurante ou supermercado para lhes encher de proteínas. E, como não podia deixar de ser, possuir um par de mandíbulas quadradas.



Sexta-feira, Julho 18, 2003

EM 1994...
Por Henry Galsky

O livro de geografia de minha sétima série levantava uma questão que o tempo tratou de responder.

Em 1994, o autor perguntava aos alunos o que iria acontecer na geopolítica mundial. Ele levantava duas hipóteses e citava exemplos: ou os grupos separatistas venceriam a guerra pela independência de suas regiões - ele citava o ETA na Espanha e os Bretões na França - ou o mundo se uniria em grandes federações, como a União Européia.

Hoje, apenas nove anos depois de ter concluído a sétima série, ninguém ousa duvidar da eficiência da União Européia. Por aqui, como sempre, tudo se torna um pouco mais burocrático, lento e difícil. Não podemos afirmar que o Mercosul é um mercado comum de fato, mas também não devemos desvalorizar tal iniciativa.

Com o avanço da tecnologia e da comunicação, parece impensável imaginar o planeta dividido em pequenas unidades.

Pode-se argumentar que a URSS acabou e dissolveu-se em 15 repúblicas. Mas o sonho desses novos países é integrar-se novamente. Agora, porém, os objetivos são outros e esses Estados olham para o ocidente e querem ter acesso aos benefícios da União Européia e sua generosa ajuda financeira.

Em nove anos - pra ir um pouco mais longe, 13 anos - o mundo parece ter sido destruído e em pouco tempo se reconstruído. E não foi fisicamente apenas. É impossível negar que as idéias de 1990 são totalmente diferentes das de 2003.

Mas não posso me esquecer da importância que a sétima série teve em minha vida. Vi que gostava de geografia e passei a me dedicar mais à leitura. Gostei, entrei pra faculdade e cheguei a cursar Jornalismo e Relações Internacionais simultaneamente. Não consegui aguentar o ritmo porque também trabalhava. Agora curso uma pós-graduação em Relações Internacionais e até hoje agradeço àquele livro de geografia que abriu meus olhos a algo que não conhecia.



Sexta-feira, Julho 11, 2003

A CULPA É MINHA
Por Henry Galsky

Sem demora e sem pensar respondo: a culpa é minha. Sou culpado por tudo o que acontece em minha vida. Tanto pelas coisas boas, quanto pelas ruins.

Sou culpado por estar insatisfeito pessoal e profissionalmente. De usar essa página como válvula de escape para tudo o que me acontece. De ter amigos que, presumo, não se lembram de mim. E se lembram não me comunicam.

Sou culpado, principalmente, por ter chegado a esse estágio de hoje. Fui eu quem fiz todas as opções de minha vida. Na infância, havia quem optasse e era muito mais fácil. Tomei todas as deisões e trilhei os caminhos que me fizeram chegar aqui nesse instante, nesse momento e a todas essas insatisfações.

Por tudo isso me olho no espelho e tiro minhas próprias conclusões. Lavo o rosto com água gelada, olho pela janela e torço para chover. Eu optei. Mas tenho lá meus méritos. Admito que fiz errado e olho pra frente na esperança de tentar fazer novas escolhas certas. Um dia espero rir de tudo isso, mas no momento é um pouco difícil.

Continuo a dar minhas longas caminhadas imaginárias e a me deixar influenciar pelo Pink Floyd. Gostaria de ter alguém para culpar pelo meu fracasso momentâneo. Mas não tenho. A culpa é minha.


Quarta-feira, Julho 09, 2003

DÁ PRA CONFIAR?
Por Henry Galsky

Não durou muito o compromisso assumido pela organizações terroristas palestinas. Como esse blog havia previsto há apenas dez dias, os palestinos jogaram para o alto a própria palavra e voltaram a cometer atos terroristas contra Israel.

A Jihad Islâmica assumiu a autoria do atentado que matou na segunda-feira o judeu Mazal Afaria, de 63 anos, no Moshav Kfar Yavetz.

O grupo exige que Israel liberte prisioneiros palestinos para que - somente se isso acontecer - volte a respeitar o cessar-fogo.

Por mais condescendente que se seja, é impossível a partir de tais acontecimentos não desconfiar de qualquer iniciativa de entendimento com esses grupos. Israel, ao longo de sua história, sempre fundamentou-se na ideologia de não negociar com terroristas. Assim aconteceu no episódio que ficou conhecido como o Resgate em Entebe, em 1976, quando a Frente Popular pela Libertação da Palestina desviou um avião da Air France com centenas de passageiros judeus e o levou para a Uganda. Naquela ocasião, o exército de Israel não aceitou negociar com os terroristas e realizou o que até hoje se considera a operação bélica mais bem sucedida da história moderna, que terminou com sete seqüestradores mortos e centenas de reféns libertados. Também foi por isso que Itzhak Rabin hesitou em apertar a mão de Yasser Arafat em Camp David, em 1993. Vale lembrar que Yasser Arafat é um ex-terrorista e até hoje mantém um grupo armado (a Fatah).

Agora, mais uma vez, os grupos terroristas mostram-se nada confiáveis como parceiros para a obtenção de uma paz justa. Aliás, isso é até bastante coerente. Afinal, são grupos terroristas e, se quisessem a paz realmente, teriam optado pela negociação política como forma de atingirem seus objetivos.

A decisão agora cabe ao governo israelense, que deverá decidir se, depois de tudo isso, ainda é possível ter no Hamas, na Jihad Islâmica e nas Brigadas dos Mártires de al-Aqsa os verdadeiros "parceiros" para a paz.


Domingo, Julho 06, 2003

UM FUTURO MELHOR
Por Henry Galsky

O preconceito já está enraizado na sociedade. No Brasil, isso fica mais claro, ainda mais quando se trata do preconceito monetário. Falando claramente, por aqui quem tem menos vale menos.

O engraçado é que o futuro inspira pouco otimismo na medida em que as instituições em geral continuam a tentar perpetuar essa estrutura de poder predatória. O que é vendido para a classe alta tem valor cultural realmente mais alto. Vou tentar a explicar minha linha de raciocínio. O jornal O Globo está vendendo nas bancas todos os domingos uma coleção de livros por R$ 11,90. São obras clássicas que ajudaram a formar o imaginário intelectual do século 20.

Entretanto, como se sabe, as organizações Globo possuem dois jornais. O Extra, que é destinado à classe mais baixa, e O Globo, lido pela zona sul do Rio de Janeiro. As promoções do Extra resumem-se a coleções de panelas e bíblias "traduzidas" para um português mais acessível.

E, por favor, não me venham com aquela história de que as empresas privadas não tem responsabilidade sobre a educação do país. Com o modelo econômico consolidado nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, ficou claro que as empresas passaram a ter o que se convencionou chamar de responsabilidade social. Inclusive, as organizações Globo já deixaram sua marca em tal política a partir do momento em que criaram iniciativas que visam à democratização da educação, como o Telecurso Segundo Grau e, mais ainda, o Canal Futura.

Não se pode desmerecer tais tentativas de ampliar o acesso ao conhecimento, assim, por que não oferecer a quem compra o Extra a coleção de livros ao invés de meia dúzia de panelas ou bíblias? Pode-se argumentar que o Globo está ali na banca e qualquer um pode comprá-lo. Não é assim. Além do preço mais alto - e, pode ter certeza que um real faz falta a quem compra o Extra - há também a questão da publicidade. Aprendi com meus amigos publicitários, principalmente com o amigo Tiago Duarte, que os produtos são confeccionados de acordo com seu público-alvo. Por isso, são propositais comerciais que envolvem baixo custo de produção e baixa qualidade. São eficientes porque não "assustam" o público - que poderá pensar que determinado produto não está ao alcance de sua renda - e criam a sensação de identificação, que, no final das contas, significa despertar a percepção de que tal marca foi feita pra "mim" ou este comercial está "falando comigo".

Cabe a nós, publicitários, jornalistas, cientistas sociais e demais profissionais que lidam essencialmente com seres humanos inverter a cadeia perversa de nossa sociedade. Nós podemos mudar a situação e mostrar que um futuro mais igualitário, justo e democrático é possível.