Quarta-feira, Abril 28, 2004

Cotidiano

DIA-A-DIA
Por Henry Galsky

E é quando se percebe que cada manhã é presságio de um recomeço
Uma folha em branco a ser preenchida
E cada minuto é uma nova chance
E essas chances se renovam a cada 24 horas
Uma nova vida, um novo mundo

E tudo ao redor parece novo
A cada dia, estamos mais novos
Quando conseguimos perceber a simplicidade da vida
Os problemas foram inventados por nós mesmos
Mas não se pode ser conformista e aceitar
É preciso lutar a cada minuto
Procurar-se a si mesmo em cada esquina

Descobrir o que nos torna únicos
A beleza do cotidiano
As marcas do tempo que jamais devem ser apagadas
Cruzar a linha de chegada de cada nova disputa
Ouvir a música que preenche o vazio
Saber escutar o silêncio
Refletir sobre a existência
Buscar um novo estímulo para continuar
Descobrir a flor que nasceu no asfalto
Homenagear o que vale a pena


Sexta-feira, Abril 16, 2004

Internacional

OS REFUGIADOS NO CENTRO DA QUESTÃO
Por Henry Galsky

No encontro internacional mais importante e aguardado da semana, o presidente norte-americano George W. Bush declarou apoio oficial ao plano do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, de retirar-se unilateralmente da Faixa de Gaza. Até aí, nada de controverso.

A polêmica em torno do plano de Sharon está no fato de que ele pretende manter três dos maiores assentamentos judaicos na Cisjordânia. O presidente norte-americano aprova a idéia e, em discurso, afirmou que tais assentamentos já são "fatos consumados". Desde o momento da declaração de Bush, o mundo condena de maneira uníssona o presidente norte-americano. Também aí, não há nenhuma novidade.

Ao contrário da imprensa mundial - que vem dando destaque às declarações de Bush sobre os assentamentos - a mídia de Israel acentua a importância de um ponto crucial para as negociações de paz, mas que, por aqui, parece ter passado em brancas nuvens: a questão dos refugiados palestinos.

No encontro em Washington, o presidente Bush declarou que é a favor do retorno dos refugiados palestinos para um futuro Estado palestino e não para Israel. A meu ver, essa foi a grande conquista de Israel frente ao governo dos Estados Unidos. O item dos refugiados palestinos é sempre um entrave às negociações. Foi assim nos acordos de Oslo, em 1994, quando decidiu-se que a questão ficaria de lado num primeiro momento e seria discutida depois, junto a outro ponto de discórdia: o status de Jerusalém.

Em 2000, em Camp David, o primeiro-ministro israelense na época, Ehud Barak, chegou a admitir o retorno de 150 mil refugiados palestinos para dentro dos limites de Israel. Naquela ocasião, mesmo com a ousada proposta israelense para um acordo de paz definitivo - que envolvia a constituição de um Estado palestino independente em 92% da Cisjordânia e da Faixa de Gaza e divisão de Jerusalém - Arafat preferiu retirar-se da mesa de negociações.

Mesmo no que ficou conhecido como Acordos de Genebra - uma iniciativa extra-oficial de membros das sociedades israelense e palestina - a questão dos refugiados tornou-se o centro da discórdia. Naquela época, em outubro de 2003, os negociadores palestinos que retornavam da Europa foram recebidos com protestos e atentados por admitirem que a volta dos refugiados para Israel seria inviável para a existência do Estado Judeu e estavam dispostos a abrir mão dessa exigência em troca de um Estado palestino soberano e independente.

As declarações de Bush sobre os refugiados foram mais uma vez mal recebidas pelos palestinos. Após a Guerra de Independência de Israel, em 1948, quando cinco exércitos estrangeiros invadiram o recém-criado país, cerca de 500 mil árabes-palestinos fugiram ou mesmo - em menor quantidade - foram expulsos do que hoje é Israel. O que não se comenta é que, na mesma ocasião, um igual número de judeus que vivia nos países árabes foi expulso de seus países e teve bens, propriedades e documentos confiscados. Israel absorveu todos eles. Já os países árabes não absorveram os palestinos. Muito pelo contrário. Até hoje, os palestinos não podem ter terras, bens ou empregos nestes países. São utilizados como massa de manobra política contra Israel.

Quando o presidente palestino Yasser Arafat e o primeiro-ministro israelense Itzhak Rabin assinaram os acordos de Oslo, os palestinos, por meio da entidade criada naquele momento para representá-los - a Autoridade Palestina - comprometeram-se a admitir a existência de Israel e, principalmente, a abolir a cláusula antes existente que afirmava que o objetivo da então Organização pela Libertação da Palestina (OLP) era a destruição de Israel. A solução que seria buscada por ambas as partes era a convivência pacífica e a construção de dois estados para dois povos.

Assim, o discurso que continua a ser adotado pela Autoridade Palestina segue o sentido oposto da paz. Tentar impor a Israel a absorção de, segundo eles, mais de 700 mil palestinos é desequilibrar demograficamente o Estado de Israel e destruir sua principal característica: ser um Estado Judeu. É, enfim, destruir Israel.