Ficção
NOS BRAÇOS DE MORFEU
Por Henry Galsky
Logo ao saltar do ônibus, Renato Viana sentiu o ar quente em seu rosto. Fazia calor naquela cidade cenográfica litorânea. Por mais que tentasse provar o contrário, Búzios ainda fazia parte do Brasil e vocábulos feios como "febre amarela" e "malária" ainda eram realidade, principalmente nos bairros pobres da cidade.
Mas Renato chegava com uma missão e, por mais solidário que fosse aos problemas sociais locais, tinha muito a fazer.
- O senhor tem bagagem?
- Não - disse Renato.
- Sabe quanto tempo vai ficar por aqui?
- Não.
Este era o tipo de diálogo que ele dispensava, principalmente por detestar intromissões em sua vida. Mas Renato sentia a liberdade que o cercava e isto deixava-o feliz. Se pudesse definir felicidade, aquele era o momento. Caminhava para a pousada certo de que estava no direito de sentir-se sem culpas ou remorsos. Havia abandonado o emprego. E daí? Haveria de encontrar outro que lhe pagasse tão mal quanto o anterior e o deixasse tão infeliz. Mas e daí? A vida era feita de momentos e aquele era um inesquecível. A liberdade plena.
"Há coisas que o dinheiro não compra. Para todas as outras existe...". O slogan do adesivo do cartão de crédito colado à porta de vidro da pousada fez com que Renato Viana deixasse por ora a filosofia de lado. Era necessário pagar para usufruir do paraíso tropical.
- O senhor espera alguém?
- Não. Estou sozinho.
- Um quarto de solteiro então?
- Sim, por favor. O quarto tem ar-condicionado?
- Sim senhor. Sua chave. Quarto 114, terceiro à direita neste mesmo corredor.
- Obrigado.
Logo ao entrar no quarto, Renato procurou o aparelho de ar-condicionado. Abriu o frigobar e tomou uma água gelada. O calor deixava-o com sono e o ar gelado do quarto criou as condições ideais que o corpo cansado de Renato Viana precisava para relaxar. Caiu na cama e dormiu profundamente. Bons sonhos, Renato Viana.
